CICLOMOBILIDADE EM SÃO PAULO: ANÁLISE DA META DE 4% E A COMPARAÇÃO COM CIDADES LÍDERES DO GBCI

Autores

  • Kelly Cristina Capana
  • Cristina Helena Luchetti Galanakis Arata
  • Fernanda Rosa Braga
  • Izolina Margarida de Souza
  • Alexandre Formigoni

Palavras-chave:

Mobilidade Ativa, Ciclomobilidade, São Paulo, Sustentabilidade, Políticas Públicas

Resumo

O avanço acelerado da urbanização e a predominância histórica do transporte individual motorizado em grandes metrópoles, como São Paulo, têm provocado profundos impactos ambientais, sociais e econômicos, expressos em congestionamentos, poluição atmosférica, emissões de gases de efeito estufa e desigualdades socioespaciais. Nesse cenário, a mobilidade ativa, especialmente a ciclomobilidade, emerge como uma alternativa sustentável e inclusiva, capaz de promover benefícios à saúde, reduzir a dependência de combustíveis fósseis e contribuir para a mitigação das mudanças climáticas. Esta pesquisa tem como objetivo analisar as políticas públicas e estratégias adotadas pela Prefeitura de São Paulo para ampliar a participação da bicicleta na mobilidade urbana, com foco na meta de atingir 4% das viagens realizadas por bicicleta até 2030, conforme estabelecido no Plano de Ação Climática (PlanClimaSP). A metodologia adotada é de natureza qualitativa, fundamentada em revisão bibliográfica e análise comparativa entre São Paulo e três cidades consideradas referências internacionais em mobilidade cicloviária: Utrecht, Copenhague, Amsterdã. A comparação baseia-se em indicadores de infraestrutura cicloviária, segurança viária, governança pública, integração intermodal e incentivos culturais. O referencial teórico está sustentado nos princípios da mobilidade urbana sustentável e nas diretrizes da Política Nacional de Mobilidade Urbana (Lei nº 12.587/2012), que estabelece a priorização dos modos de transporte não motorizados e coletivos. Também se apoia na Agenda 2030 da ONU, em especial no Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 11, que propõe tornar as cidades mais inclusivas, seguras, resilientes e sustentáveis. As experiências internacionais analisadas demonstram que o sucesso das políticas de ciclomobilidade depende da continuidade administrativa, da infraestrutura de qualidade e da cultura de valorização da bicicleta como meio de transporte cotidiano. Em São Paulo, apesar dos avanços normativos e estruturais obtidos nas últimas décadas, como a criação da Política de Mobilidade Sustentável (Lei nº 15.318/2014) e a expansão da rede cicloviária, persistem desafios significativos, como a fragmentação da malha cicloviária, a insegurança viária e a desigualdade territorial no acesso à infraestrutura. Os dados da Pesquisa Origem e Destino (2023) indicam que apenas 1,32% das viagens diárias são realizadas por bicicleta, número ainda distante da meta proposta. Conclui-se que o fortalecimento da ciclomobilidade em São Paulo é essencial para a promoção de uma cidade mais justa, saudável e sustentável. A bicicleta, além de meio de transporte, representa um instrumento de transformação urbana e social, capaz de redefinir o uso do espaço público e contribuir efetivamente para a transição ecológica da mobilidade urbana.

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Publicado

2026-02-07